Em primeira entrevista, Queiroz explica ‘movimentação atípica’: ‘Sou um cara de negócios, eu faço dinheiro’

Fabrício Queiroz, motorista e ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), deu uma entrevista exclusiva ao SBT na noite desta quarta-feira (26). Essa foi a primeira vez que ele se pronunciou sobre o relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que identificou “movimentações atípicas” de R$ 1,2 milhão em sua conta bancária.

“Eu sou um cara de negócios, eu faço dinheiro, compro, revendo, compro, revendo, compro carro, revendo carro, sempre fui assim, gosto muito de comprar carro de seguradora, na minha época lá atrás, comprava um carrinho, mandava arrumar, revendia, tenho uma segurança”, declarou.

A comunicação do Coaf não significa que haja alguma irregularidade na transação, mas mostra que os valores não são compatíveis com os rendimentos da pessoa. Questionado, então, sobre sua renda, Queiroz afirmou que recebia cerca de R$ 10 mil de salário como assessor mais R$ 10 mil da remuneração como policial.

“No total, em torno de R$ 23 mil ou R$ 24 mil por mês”, disse. Ele não detalhou, no entanto, a origem específica das movimentações do relatório. “Eu morava em um apartamento arrumadinho, com piscina, a coisa toda. Aí separei e vim morar em uma comunidade no Rio de Janeiro. Esse mérito do dinheiro eu queria explicar para o Ministério Público.”

O motorista ainda falou sobre a mudança em sua relação com Flávio após o início dessas investigações. “É uma covardia o que está acontecendo comigo. Não sou laranja, sou trabalhador! Nem tenho mais falado com ele. É a coisa mais triste do mundo. Me abati muito com isso. Eu era amigo do cara. Vou provar tudo com o MP”, finalizou.

Na última sexta-feira (21), o motorista faltou pela segunda vez a um depoimento que iria prestar no Ministério Público do Rio (MPRJ). A defesa, na ocasião, alegou problemas de saúde. Na entrevista, ele deu mais detalhes e revelou que, após sentir dores crônicas, recebeu recentemente um diagnóstico de câncer. “Vou ser submetido a outros exames, mas devo operar o mais rápido possível. Aqui no intestino tem um tumor grande. Não estou fugindo de nada, quero muito prestar esclarecimentos.”

Sobre o empréstimo citado por Bolsonaro

No começo de dezembro, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse, em entrevista ao site O Antagonista, que o depósito do ex-assessor na conta de sua esposa Michelle era referente ao pagamento de uma dívida de R$ 40 mil.

“Emprestei dinheiro para ele em outras oportunidades. Nessa última agora, ele estava com um problema financeiro e uma dívida que ele tinha comigo se acumulou. Não foram R$ 24 mil, foram R$ 40 mil. Se o Coaf quiser retroagir um pouquinho mais, vai chegar nos R$ 40 mil”, afirmou Bolsonaro à publicação.

Ao SBT, Queiroz confirmou a afirmação. “Nosso presidente já esclareceu isso”, resumiu.

Fonte Jovem Pan