‘Ministro do Supremo pode muita coisa, mas não pode tudo’, diz Major Olimpio sobre Toffoli

Em entrevista nesta quarta-feira (4) ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, o senador Major Olimpio (PSL-SP) explicou os motivos pelos quais apresentou um pedido de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. De acordo com o parlamentar, a representação aponta condutas inadequadas do ministro à frente da Corte e cita o julgamento sobre o compartilhamento de dados da Unidade de Inteligência Financeira (UIF), o antigo Coaf.

“Um ministro do Supremo pode muita coisa, mas não pode tudo. Se um guardião da Constituição está infringindo a lei, cabe ao Senado verificar isso e quero ser respeitado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Quero que entre em pauta o impedimento do ministro.”

O pedido de impeachment apresentado à Casa cita a manifestação contrária de cinco ministros durante o julgamento do caso Coaf sobre os compartilhamentos de dados e o pedido de retirada de reportagens críticas a ele da imprensa. No entendimento do parlamentar, houve crime de responsabilidade.

“Ele [Dias Toffoli] puxou os dados do Coaf e travou as informações do órgão quando, na verdade, se questionava na ação o compartilhamento de dados entre Receita Federal e Ministério Público. Os próprios ministros como Rosa Weber, Cármen Lúcia, Barroso e Marco Aurélio, por exemplo, se posicionaram perplexos”, disse.

Ao ser questionado se o presidente do Senado pautaria o pedido, Major Olimpio afirmou que “existe um comportamento de não mexe nas minhas gavetas que não mexo nas suas”. Segundo ele, muitas ações de Alcolumbre têm sido importantes, já outras causam preocupação.

“Tínhamos uma expectativa da mudança e, logicamente, algumas ações são boas, mas ao mesmo tempo causou perplexidade algumas atitudes, como não dar encaminhando aos pedidos de impeachment e a CPI Lava Toga e isso nos preocupa demais.”

Mortes em Paraisópolis

O senador também comentou as nove mortes que aconteceram na madrugada do último domingo (1º) na favela de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, durante o baile funk da Dz7. Os mortos – oito homens e uma mulher – foram pisoteados após, de acordo com a Polícia Militar, criminosos dispararem contra policiais da Rocam que patrulhavam o local. Os dois suspeitos em uma moto entraram no local do baile causando o tumulto.

Para Major Olímpio, os bailes funk realizados em Paraisópolis são “financiados pelo narcotráfico”. “No caso de Paraisópolis, moram mais de 110 mil pessoas ali e a esmagadora maioria é gente de bem que sofre nas mãos dos criminosos. Temos ali o narcotráfico que financia os pancadões e o comércio ilegal de bebidas para menores.”

O senador que ingressou na Polícia Militar em 1978, no entanto, defendeu que haja a apuração do caso. “Há uma verdadeira guerra dos criminosos com as forças policiais. Tudo isso está sendo apurado e a PM não compactua com o exagero de ninguém”, completou.

Fonte Jovem Pan