PCC está ligado à principal máfia italiana, aponta investigação internacional

Uma investigação internacional identificou que o PCC (Primeiro Comando da Capital) está ligado à principal máfia italiana, a ‘Ndrangheta. De acordo com o portal de notícias UOL, as duas organizações criminosas negociam diretamente a exportação da maior parte da cocaína que sai da América do Sul com destino à Europa. As apurações envolveram forças policiais de quatro países da Europa e durou cerca de dois anos.

No início deste mês, cerca de noventa suspeitos foram presos na Itália. Segundo as apurações, o até então principal líder da máfia italiana, que agia na região sul do país, chegou a viajar para o Brasil duas vezes no início de 2017.

Interceptações telefônicas feitas pela polícia italiana apontam que Domenico Pelle, de 26 anos, viajou para São Paulo para negociar com os fornecedores de drogas com a ajuda de Gianni, também conhecido como Killer. A Polícia ainda não sabe seu nome verdadeiro, mas já descobriu que ele se apresenta como empresário e que teria uma loja de toalhas de fachada na capital paulista.

Pelle chegou no aeroporto de Guarulhos com passaporte falso. Ele também usou um telefone criptografado, com outro microfone instalado, sem câmera, nem GPS. Por conta disso, a polícia italiana não pode ouvir as conversas do mafioso com os criminosos brasileiros.

Um mês depois, em fevereiro, Pelle voltou a São Paulo novamente com o auxílio de Gianni. Desta vez, para levar, pessoalmente, uma segunda parte de um pagamento aos fornecedores de drogas do Brasil. Foram pagos cerca de US$ 50 mil (R$ 195 mil) pela carga de cocaína remetida à Europa. A fim de levar os dólares para o Brasil, Pelle foi até um homem na região de Calabria, no sul da Itália, para trocar 40 mil euros pela moeda americana em uma espécie de “casa de câmbio informal” utilizada pelos mafiosos.

Existe também a suspeita de que o principal nome da máfia italiana em liberdade esteja morando em São Paulo e que seja o “correspondente” da ‘Ndrangheta na América do Sul. Nicola Assisi estaria vivendo no Brasil, com um passaporte falso, dizendo ser o argentino Javier Varela, e teria uma empresa em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.

Atualmente, segundo a polícia italiana, ele atua como traficante de cocaína para a máfia junto com o filho, Patrick. Eles têm como principal negócio a compra de drogas do PCC e dos carteis colombianos e atuam como uma espécie de “correspondente” na ‘Ndrangueta na América do Sul.

Investigação da Polícia Federal

A ligação entre as duas organizações criminosas já está na mira da Polícia Federal (PF), de acordo com o UOL. Uma operação foi deflagrada em julho e apreendeu drogas em portos do país avaliadas em R$ 1 bilhão. Os criminosos estavam mandando droga para a Europa por meio de contêineres.

Segundo a PF, a rota da cocaína interceptada na operação de julho deste ano tinha como origem Colômbia e Bolívia. A droga chegava por estradas federais até o Rio de Janeiro. De lá, enviavam para a Bélgica, de onde era remetida a outros países da Europa, Ásia e África. De acordo com investigações brasileiras, que estão em andamento, o comprometimento de agentes que atuam dentro dos portos com facções é “evidente”.

Uma outra operação foi deflagrada na última terça-feira (18) no porto de Santos, litoral de São Paulo. Foram cumpridos treze mandados de prisão temporária e doze de busca e apreensão. Segundo a PF, traficantes articulavam a compra de cocaína a partir da cidade de São Paulo e faziam a remessa da droga à Europa pelo mar.

Já a Polícia Civil de São Paulo apurou que nos últimos dois anos, foram enviadas para a Europa, a partir de navios que saem dos principais portos do Brasil, cerca de duas toneladas de cocaína, avaliadas em cerca de R$ 1 bilhão. Os principais portos do país de onde há interferência do crime organizado são o de Santos (São Paulo), Salvador (Bahia), Itajaí (Santa Catarina) e o da capital do Rio de Janeiro.

A investigação da Polícia Civil baseou denúncia do MP (Ministério Público) no primeiro semestre deste ano, que apontou que o PCC tem se caracterizado de forma mais violenta do que nos últimos anos. Agentes da Abin apontam que o PCC ficou mais violento, principalmente, após o início da intervenção federal no Rio de Janeiro, que teve início em fevereiro deste ano. Isso porque quando a segunda maior facção criminosa do país, o CV (Comando Vermelho), teve de sair do Rio, para outros estados, para atuar de “forma mais livre”.

Os arquivos da operação italiana foram obtidos pelos jornalistas Cecilia Anesi e Giulio Rubino, do projeto IRPI (Projeto de Jornalismo Investigativo da Itália, na sigla em inglês). O resultado das investigações foi publicado inicialmente no OCCRP (Projeto de Jornalismo sobre Crime Organizado e Corrupção, na sigla em inglês). No Brasil, a reportagem foi publicada em conjunto com o UOL. São 2.070 páginas de investigação, que apontam como a ‘Ndrangheta movimentou milhões de euros traficando cocaína desde a América do Sul.Fonte Jovem Pan

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