Terminada a fase de debates, votação de projeto da Previdência na CCJ pode ocorrer nesta quarta (17)

Governistas acelerando, oposição atrasando. Foi essa a tônica das mais de 13 horas de debates na Comissão de Constituição e Justiça nesta terça-feira (16).

Deputados contrários à reforma da Previdência faziam questão de usar todo o tempo que tinham para falar, a fim de prolongar os trabalhos. A novidade foi a estratégia da base: ao contrário de outros dias, deputados pró-reforma falavam por tempo reduzido, ou abdicavam do discurso.

Com isso, a discussão andou mais rapidamente e deu esperanças de votação nesta quarta-feira (17), como demonstrou o líder do Novo, Marcel Van Hattem: “independentemente de obstrução, que já foi anunciada e é direito da oposição, vamos até a aprovação do projeto na CCJ. Até a votação e esperamos que seja aprovação”.

A estratégia pegou a oposição de surpresa e gerou críticas, como a do deputado Ivan Valente, do PSOL: “está ficando claro que o Governo quer votar hoje, então não tem acordo nenhum”.

Os debates também tiveram momentos de críticas mútuas entre parlamentares favoráveis e contrários à PEC da Previdência.

O vice-líder do Governo, deputado Darcísio Perondi, do MDB, disse que falta memória à oposição, relembrando que governos petistas já defenderam reforma da Previdência: “a do Governo anterior e essa foram corajosas, porque se agravou. Inclusive, a oposição, quando no Governo, encaminhou reformas”.

O deputado Henrique Fontana, do PT, defendeu o partido: “não somos daqueles que pensam que ou se faz ou não se faz a reforma. Tem que se fazer coisas justas. Essa proposta que está aqui é de tal maneira cruel e draconiana contra os mais pobres”.

No fim da sessão, a fase de debates foi dada como encerrada, mas os partidos não conseguiram chegar a um acordo sobre votação.

Os governistas tentam um esforço para votar a reforma ainda nesta quarta-feira, mas podem enfrentar um problema de quórum por ser véspera de feriado.

A oposição vai obstruir os trabalhos apostando que o Governo não consiga mobilizar a base para manter quórum alto durante o dia e votar a reforma da Previdência antes da Semana Santa. A sessão está marcada para as 10 da manhã.

*Informações do repórter Levy Guimarães